
O barulho do vento fazia os velhos olhos buscarem por uma segurança tão distante quanto o tempo em que podia se proteger do mundo.
Hoje segue tateando cada centímetro a sua volta, em busca de caminhos. Buscando em cada um dos sentidos remanescentes tentar encontrar qualquer passagem pela parede negra da noite, qualquer passagem que o leve ao calor de sua cama que grita por seu nome, como uma sereia ardente à beira de um abismo.
O relampejar ilumina o tudo a sua volta. Era preferível que o raio não existisse. Não agora. O que era aquilo parado na porta? Havia algo parado ali? Alguém?
A fúria do trovejar invade todo seu corpo, denunciando a proximidade do raio que rasgou os céus poucos segundos atrás e deixou um frio doloroso em sua coluna retorcida pelos anos.
Outro raio. Mais forte, azulado.
Seus olhos buscam a porta.
Nada.
Fechada e negra como a noite que o cerca.
O trovão veio mais demorado dessa vez, fazendo vibrar os talheres sobre a mesa, janelas, cortinas e suas roupas que em vão o protegiam do frio.
Apesar dos vidros e portas cerrados, um vento deslizou sobre suas costas, suave como um sopro, com a sutileza de uma serpente. Em toda sua vida, o desejo de se virar e olhar pra trás nunca foi tão forte, provocando uma pressão dolorosa sobre seus ombros. Mas o medo imperava de forma tenaz, um misto de razão e instinto. O mesmo instinto que fez seus pulmões pararem ao sentir novamente o respirar tocar sua pele.
Hoje segue tateando cada centímetro a sua volta, em busca de caminhos. Buscando em cada um dos sentidos remanescentes tentar encontrar qualquer passagem pela parede negra da noite, qualquer passagem que o leve ao calor de sua cama que grita por seu nome, como uma sereia ardente à beira de um abismo.
O relampejar ilumina o tudo a sua volta. Era preferível que o raio não existisse. Não agora. O que era aquilo parado na porta? Havia algo parado ali? Alguém?
A fúria do trovejar invade todo seu corpo, denunciando a proximidade do raio que rasgou os céus poucos segundos atrás e deixou um frio doloroso em sua coluna retorcida pelos anos.
Outro raio. Mais forte, azulado.
Seus olhos buscam a porta.
Nada.
Fechada e negra como a noite que o cerca.
O trovão veio mais demorado dessa vez, fazendo vibrar os talheres sobre a mesa, janelas, cortinas e suas roupas que em vão o protegiam do frio.
Apesar dos vidros e portas cerrados, um vento deslizou sobre suas costas, suave como um sopro, com a sutileza de uma serpente. Em toda sua vida, o desejo de se virar e olhar pra trás nunca foi tão forte, provocando uma pressão dolorosa sobre seus ombros. Mas o medo imperava de forma tenaz, um misto de razão e instinto. O mesmo instinto que fez seus pulmões pararem ao sentir novamente o respirar tocar sua pele.


