segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Machado de guerra

Um índio sentou-se na encosta de uma grande montanha para ver o sol que seguia longe.
Logo depois, saudou as estrelas que desafiavam a claridade do céu para que pudessem brilhar.
Com elas, veio o vento norte que trazia notícias de mil mundos, o canto de mil povos, a lembrança de mil passados.
Despedaçada entre as árvores, subia a lua lenta e pesada, que vivia pela metade em dias incompletos.
Saudada pelos lobos, aves, estrelas e pelo manto negro que caía do céu.
Uma união de elementos que cantava uma canção de esperança e memória.
Dizem que cantavam para o índio sentado na encosta da montanha. Contavam histórias dos tempos em que ele sorria ao lado de sua própria estrela. Dos tempos em que cavalgava em busca do mais belo corcel, e, cheio de orgulho, o apresentava para sua amada.
Dizem que a cada vez que fechava os olhos, três lágrimas mergulhavam fundo na terra, encontrando a água que corria furiosa. Iam embora para sempre tentando levar consigo toda a dor, mas voltavam com a chuva que inundava o planeta.
O sol voltava a derreter o horizonte num vermelhor desesperado, para trazer consigo o calor que libertava os membros enrijecidos do homem que carregava consigo toda a dor do mundo.
Levantou-se e olhou para o vale aos seus pés.
Queria voar
Queria voltar ao passado.
Queria mais uma única chance de sentir seu gosto. Olhar seus olhos. Morrer afogado na intensidade linda de seu cheiro.
E ao morrer, se sentir vazio de qualquer temor.