O voo atrasou cerca de duas horas.
Sentado no saguão, buscava por interessâcias na internet, folheava a revista que encontrou no banco ao lado, olhava as pessoas que iam e vinham.
Viu casais que andavam juntos. Casais que viviam separados.
Crianças correndo, idosos sorrindo e funcionários caminhando desanimados, carregando, informando e sorrindo sem sorrir.
Atrasado.
Continuava dizendo o letreiro no alto.
As pessoas continuavam surgindo sem trégua. Saturando de informações os olhos e ouvidos que impacientes percorriam todo o espaço ao redor.
Cores, vozes, cheiros, perfumes, sentimentos, sensações, esperanças, desesperos e descaso.
Tudo mascarado do cotidiano que persistia em não sair do lugar.
Uma senhora perguntou se estava no embarque correto.
A atendente magra e de lentes de contato verdes sorriu uma informação precisa.
A senhora se foi sem dizer palavra.
Percebeu que ele olhava. Sorriu, como se fosse ele o responsável pela dúvida sanada.
Ele sorriu de volta e deitou seus olhos no relógio de pulso.
Quando foi chamado para embarque, sentiu um frio na barriga, e se levantou.
Pousaram enquanto o sol dourava os prédios na linha do fim da terra, e um taxi o deixou em frente a estátua do parque, onde haviam se beijado num tempo distante. Tão distante que havia se tornado parte de seus sonhos repetidos.
'Estou chegando', disse o telefone numa mensagem branca.
Desde muito sentia falta daquelas pessoas que nunca viu, indo e vindo com suas histórias incompletas, seus sorrisos incontidos e suas almas livres.
Era bom estar de volta.
Perdeu-se por mil anos quando a viu esperando que acabassem todos os carros do mundo para que pudesse atravessar a rua.
Os carros nunca acabaram, mas pararam o tempo e ela veio.
Sorriu pequeno quando se aproximou, e deixou que seu perfume invadisse seus olhos, seus dedos, seus desejos de que o tempo continuasse parado a mercê daquele momento.
Não falaram.
Não sorriram.
Ele afastou seus cabelos e tocou seu rosto claro. Colocou seus dedos entre os cabelos de sua nuca e a puxou para si com carinho.
Se abraçaram para sempre.
E, a cada expirar em silêncio, respiravam o perfume que os unia e mudava todos os caminhos do mundo.
terça-feira, 25 de junho de 2013
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