Ela suspirou por um segundo que durou o restante de sua vida.
Durou pelo tempo em que seus olhos permaneceram fechados.
Absorvendo. Se alimentando de cada molécula daquele momento.
Incrédula.
Absorta em se perder para sempre, olhou para os lados sem ver o que podia ser encontrado.
Buscando um ponto de fuga para seu desespero.
Tentando respirar com o peito esmagado e os olhos a deriva sem saber em que oceano se perderam.
Viu aquelas mãos subirem num gesto perfeito de entrega e sonho.
Fechou novamente os olhos para sentir de perto a melodia que fugia das caixas espalhadas ao redor.
Ela chegava rouca e cheia de dor.
Uma harmonia absoluta e descrita em cores primárias e perdidas, e nuas, e quentes, e abandonadas numa frequência inalcançável.
Era o fim.
As mãos baixavam lentas em direção ao microfone que transmitia ao cosmos um ouro líquido.
Era um ansioso pedido de perdão.
Quis chorar como se o mundo fosse um canto escuro onde pudesse se esconder sozinha até o fim dos tempos.
Rasgando todas as cartas que nunca conseguiu enviar.
Todos os segredos que teimou em esconder.
Olhou para a porta negra e fechada que a dizia para ficar.
Sabia que lá fora a lua a esperava indicando o caminho de casa, mesmo sem estrada por onde pisar.
Sem a luz amarela para guiar seus olhos molhados.
Fique.
Cantava o ouro líquido desesperado.
Ela se levantou trêmula para aplaudir, mas não havia som.
Apenas seu coração pulsando descontrolado a espera de um próximo acorde.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
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