quinta-feira, 2 de agosto de 2007



_tudo certinho?
_tudo certo. obrigada.
_então ta bom. tchau.
_tchau.
Z passou pela porta da sala de recebimento de materiais e leu num quadro um informe sobre música erudita, num sábado próximo. lembrou de um grande amigo da infância.
a caminho do elevador, viu pelo corredor varias plantas em vasos bonitos e de pintura envelhecida. plantas artificiais, provavelmente.
o elevador estava demorando. havia um rapaz que lia um quadro com explicações sobre o uso racional do mesmo. batia o pé esquerdo, irritado e impaciente.
a seta indicando a direção do elevador que parou, iluminou-se para baixo. direção correta. a porta se abriu e mostrou-se vazio. no momento, eram os dois os únicos passageiros.
_'passageiros?' - pensava ele. - como se chamavam os ocupantes de um elevador? ocupantes? e os dirigidores de metrô? motorista, pilotos, operadores? vai saber.
o elevador parou no 13º andar e entrou um rapaz magro, com cerca de 25 anos. um ferimento no meio do labio inferior. a primeira vista, poderia tratar-se de um piercing arrancado, ou perfuração inflamada. logo atras dele vinham dois seguranças de uma transportadora de valores, com as mãos sobre os coldres. quando estavam dentro do elevador, e de frente para a porta, entrou um terceiro carregando uma escopeta calibre 12.
formaram um triangulo, com o homem da escopeta a frente, e com um aceno de cabeça, o mais velhor deles apontou para o meio da formação, dizendo onde o rapaz machucado deveria ficar.
ele carregava sob o braço direito uma pasta de lona fina, azul e surrada. sem qualquer inscrição ou símbolo.
a porta se fechou e recomeçou a descida. chegando ao 11º andar, as luzes se apagaram e o elevador parou violentamente, jogando no chão o homem da escopeta e o rapaz impaciente do 15º.
Z só nao caiu porque estava apoiado ao final do elevador, entre o fundo e a lateral esquerda. ouvia o som dos cabos balançando e se chocando. seus olhos começavam a se acostumar a escuridão e viu o homem da escopeta e o impaciente se levantando e praguejando.
não havia sinal para os celulares, e o unico radio disponível com os seguranças só captava estática.
ainda com as luzes do elevador apagadas, o elevador voltou a descer lenta e gradativamente. às vezes parando por cerca de 10 segundos, e voltando a se movimentar em seguida.
era impossivel saber em que andar estavam agora. a agonia por liberdade começava a dar lugar a uma preocupação com o que poderia estar causando o problema.
em seus ouvidos o cantor berrava ''i will fly arround your fire anymore'' no momento exato em que pararam novamente e começaram a subir. os seguranças sacaram as armas e tantavam desesperadamente contato atraves do radio. arrancou os fones do ouvido e tentou abrir a porta.
estática.
parou novamente. as paredes vibraram e começaram a ouvir pancadas fortes vindas de cima. não onde estavam, mas muito acima, como se tentassem arrombar algo.
todos começaram a procurar por alguma saida de emergência, apertando freneticamente - e em vão - os botões.
_merda. só faltava isso. eu morrer no escuro, e no meio de um monte de homem.
pensava Z, enquanto forçava a porta que parecia soldada por fora. voltou-se para tras e deu de cara com o rapaz magro. sob a luz dos celulares, ele sorria. olhava para cima, decifrando a escuridão, e sorria.

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