terça-feira, 15 de setembro de 2009



oi. boa tarde.
boa tarde.
estou participando de um projeto pra universidade em que foi proposto o tema "desconhecidos". gostaria muito de poder fazer uma foto da senhora com algum filho, ou parente próximo.
foto?
sim. foto.
mas foto pra que?
pra um projeto da escola.
e pode ser com meu marido também?
é claro!
então espera que vou chamar. Antôooooonio!
então. quem é esse moço?
ele é da entidade.
não, senhora. da universidade. é que estou participando de um projeto fotográfico em que foi proposto o tema "desconhecidos". gostaria muito de poder fazer uma foto de vocês. posso?
foto? pra fazer o que?
para um projeto.
o que vai fazer com essas fotos?
algumas delas serão expostas no encerramento do projeto.
foi isso mesmo que ele te falou primeiro?
foi... acho que foi.
e quanto você vai ganhar com elas?
não vou ganhar dinheiro com elas. isso vale ponto para o trabalho.
então seus professores vão ganhar!
acho que não, senhor.
ah. claro que vão. onde você já viu isso? parece bobo. fotógrafo é cheio do dinheiro, que eu to sabendo. quando vai dar pra gente?
nossa... meu dinheiro mal ta dando pra pagar meu curso.
tá mais fodido do que eu então, hein?
mais ou menos isso.
veja bem. veja bem. meu dengo aqui vai valorizar seu trabalho. embelezar essa tal exposição. olha como ela é graçuda.
tenho certeza que vai. mas me desculpem. estava olhando aqui e só agora vi que gastei todo o rolo do filme na parte da manhã, e não tenho mais.
filme?
é.
você é burro? porque nao compra uma daquelas máquinas de tirar foto com telinha?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009


Dias atrás me vi correndo entre nossos medos.
Descobri, caindo em abismos, que corria a sós.
Nas mãos, ouro e sonhos em troca de teu olhar.
Entre rios e montanhas senti o frio. Me alimentei de meu cansaço.
Bebi as notícias trazidas pelo vento, e os segredos guardados sob as sombras.
Desafiei os gritos das tempestades, rompendo o tempo a caminho de nós.
Te vi ao longe. Vestida de luzes, dançava.
Girando entre os braços, vigiada de perto pelo sabor de seu perfume.

Parado a sua frente, me vi.
Minhas roupas contavam minhas dores e meus pés ainda buscavam abrigo entre as pedras e a terra seca que varreu minha pele e meus cabelos.
Nas mãos, minha espada e meu escudo gasto escrito em letras de bronze, que refletindo seus olhos, diziam sim.

[foto de edu rickes]

terça-feira, 8 de setembro de 2009


Moro bem a beira do fim do mundo.

Minha casa tem janelas de pedra e vidro que deixam ver a chuva chegar. Meu cão de olhos espertos enxerga longe, correndo entre galhos e sóis.

Moro bem a beira do fim do mundo.

Onde meu flho e meus amigos cantam sobre gatos e telhados. Onde há uma menina e um céu. Magos felizes espalhando acordes honestos e estradas a percorrer.

Moro bem a beira do fim do mundo.

Onde há uma nova esperança, um novo perfume e novos sorrisos. Há saudade e recomeços. Grama para cortar e erros para corrigir.

Moro bem ali. No topo do morro, entre um lago e um grande carvalho. À nós, o sol vem primeiro.

Entre nos está a distância e a força para percorre-la.

Pra nós, todo o amor do mundo.