Ela despertou com a música latejando em sua cabeça. Um refrão grudento e desesperado que transmitia uma paixão tão intensa que beirava uma dor destruidora.
Foi ao computador e imprimiu a tradução da letra que leu enquanto a música era executada pela oitava vez seguida, no volume máximo do stéreo.
Suspirava profundamente a cada oitava alcançada pela cantora. Tomou banho e se aprontou para o trabalho ao som da canção. No metrô, lia e relia o papel em suas mãos. Vez ou outra olhava pela janela, tentando tomar pra si todo amor que passava veloz por entre as pessoas que iam e vinham por todos os lados. Respirava fundo para segurar o nó que se formava em sua garganta, vez ou outra secando uma lágrima que teimava em brotar.
Passou do ponto onde desceria, e decidiu seguir até o final da linha. Cantava.
Ela se levantou e sentiu que atraia cada olhar e sentido ali. Nunca, em cada segundo da vida da cada uma das pessoas ali presentes, havia sido sentido tamanho pulsar de amor.
O ar parou naquele instante. Os homens piscavam boquiabertos. As mulheres com os olhos deitados de lágrimas, lamentavam sem fim.
Ela abriu os braços e deixou cair a cabeça para trás num sorriso infinito.
Mil crianças nasceram. Milhares de idosos se tocaram, num adeus saturado de paixão.
Ela sorriu um sorriso sem fim e deu o primeiro passo em direção a eles.

Um comentário:
Q U E L I N D O !!!
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