Ela olhava para fora e sorria.
Talvez se lembrasse de palavras sussurradas na noite anterior. Juras de amor sem fim, elogios a seus cabelos castanhos e finos, seu rosto de menina com uma pinta negra desafiando os negros olhos, uma sutileza conhecida apenas pelos dois e que a fez se arrepiar.
Sorria quase a rir entre estranhos que, enjaulados em seu próprio mundo, não tinham mais garras nem asas.
Viu um vulto dormindo na janela do veículo ao lado. Lembrou-se de seu sono a dois, seu despertar observado, seu desejo tímido de evaporar num átimo sendo devorado pelo desejo do outro. Cobriu o rosto e quis ser possuída por aqueles olhos que a despiam com fome e paixão, que a tocavam embalados por seu cheiro jovem e medroso.
Baixou o lençol, descobrindo o sorriso honesto. Sua mente girava visitando terras distantes onde queria levá-lo pra sempre.
Ele sorriu de volta.
Queria cantar sobre anjos e paisagens molhadas de sol, mas era só silêncio.
Despertou de seus pensamentos e olhou ao redor. E em cada jaula, cada olhar, cada rosto, a vida parecia ser só aquilo que se via passar todos os dias, da mesma forma. O tedioso ir e vir. O viver apenas para viver.
Cega de amor em seu canto, ela voava.
2 comentários:
lindo! ass: tatá bastos
Goostei, Goostei muito !
Ass: Venatinha (:
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