sexta-feira, 28 de outubro de 2011



- papai, porque o homem aranha não joga fogo?
- ele gosta mais de jogar teia.
- a teia prende o bandido?
- prende. Aí o homem aranha bate nele e depois leva pra polícia.
- e o transformers, joga fogo?
- também não. Só da tiro.
- ele é gigantão?
- é. Gigantãozão.
- amanhã você compra um pra mim?
- amanhã eu compro.
- mas eu não quero piquinininho.
- ta bom.
- papai.
- hum?
- a lua cai em cima da gente?
- não. Ela ta amarrada.
- e se a nave pousar em cima dela? Vai cair!
- cai não. O moço amarrou fortão.
...
- e se pousar um tantão de nave?
- aí a gente tem que sair correndo.
- não é que o moço não almoçou tudo?
- não almoçou. aí ficou fraquinho.
- deixa eu jogar?
- não. Tá na hora de dormir.
- só pouquinho?
- nem pouquinho.
...
- papai.
- oi.
- amanhã a gente vai na casa do Bernardo de novo?
- uhum.
...
- Papai.
- hum.
- porque você não quer conversar comigo?
- tô conversando, sim.
- ta não. Você falou "uhum".
...

domingo, 9 de outubro de 2011




‘E se eu dissesse que te amo? Quantas voltas seu mundo daria antes que me mandasse partir? Quanto tempo levaria até que fôssemos levados pela fúria da tempestade em nosso beijo? E se eu contasse sobre o aperto morno que me sufoca o peito? Sobre o medo de te ter. Sobre a angústia de te perder. Ensaiei nove formas de te tocar. Tantas outras de sentir seu perfume. Mas o beijo - aquele que em fúria varre minha alma sonolenta - deixei sozinho em sua boca.
Não me arrependo do medo. Pois não é medo. É uma forma de te dar paz, e, lentamente mergulhar sozinho e nu nesse lago revolto.
E se eu tivesse dito que te amo? Quantos sonhos mais precisaria ter para suprir a falta esmagadora de seu abraço?
Ainda estou realizando o sonho de acordar incontáveis vezes e te encontrar deitada a meu lado.’

Ela então olhou para a janela.
Com a carta em suas mãos mordeu os lábios tentando segurar a vontade de telefonar.
Fechou os olhos com força e começou a ler tudo novamente.