domingo, 9 de outubro de 2011




‘E se eu dissesse que te amo? Quantas voltas seu mundo daria antes que me mandasse partir? Quanto tempo levaria até que fôssemos levados pela fúria da tempestade em nosso beijo? E se eu contasse sobre o aperto morno que me sufoca o peito? Sobre o medo de te ter. Sobre a angústia de te perder. Ensaiei nove formas de te tocar. Tantas outras de sentir seu perfume. Mas o beijo - aquele que em fúria varre minha alma sonolenta - deixei sozinho em sua boca.
Não me arrependo do medo. Pois não é medo. É uma forma de te dar paz, e, lentamente mergulhar sozinho e nu nesse lago revolto.
E se eu tivesse dito que te amo? Quantos sonhos mais precisaria ter para suprir a falta esmagadora de seu abraço?
Ainda estou realizando o sonho de acordar incontáveis vezes e te encontrar deitada a meu lado.’

Ela então olhou para a janela.
Com a carta em suas mãos mordeu os lábios tentando segurar a vontade de telefonar.
Fechou os olhos com força e começou a ler tudo novamente.

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