sexta-feira, 13 de abril de 2018

Nômade


Os horizontes eram longínquos rabiscos encrustados na moldura que formavam céu e terra num encontro brutal e incansável.
Nossos corpos famintos não mais impulsionavam nossos desejos rumo a qualquer direção. Estagnados em nossa própria perdição olhávamos nuvens infindas que passavam rumo ao nada.
Não havia sol. Não havia frio nem chuva.
Era uma neutralidade incontida que nos circundava e não deixava que o tempo pudesse ser contado.
Ele já não mais dizia palavra. Nem mesmo comentava resignado da dor que dilacerava.
Era silêncio, como o tudo ao redor.
Retirei de minha bolsa o livro que sobrara.
As páginas não estavam tão velhas ou desgastadas, mas estavam sujas e eu tinha para mim a certeza quase constante de que se moviam como se absorvessem partículas de cada momento em que as li em voz alta para aqueles que partiam ao meu lado.
Sempre silenciosos. Uma aceitação carregada de desespero mudo.
Comecei a ler e ele voltou os olhos em minha direção. Secos demais para formar lágrima ou sorriso.
Ouviu.
Viu.
Imaginou a trajetória do homem mais mais solitário do mundo que, segundo Murakami, encontra-se no oposto lado de um abismo intransponível. De uma enormidade inigualável e enlouquecedora.
Percebeu que, naquele momento, não era era o homem mais solitário do mundo.
Eu estava ali a seu lado, mas em alguns minutos, o abismo me engoliria e faria com que eu me encontrasse no lado oposto. Onde o nada me aguardaria sorrindo num canto escuro.
Voltou seus olhos para o céu.
Aquela nuvem pequena parecia uma folha.
Uma folha fina soprada por um vento que nunca veremos.
Não havia sol. Não havia frio nem chuva.Era uma neutralidade incontida que nos circundava e não deixava que o tempo pudesse ser contado.Ele já não mais dizia palavra. Nem mesmo comentava resignado da dor que dilacerava.Era silêncio, como o tudo ao redor.Retirei de minha bolsa o livro que sobrara.As páginas não estavam tão velhas ou desgastadas, mas estavam sujas e eu tinha para mim a certeza quase constante de que se moviam como se absorvessem partículas de cada momento em que as li em voz alta para aqueles que partiam ao meu lado.Sempre silenciosos. Uma aceitação carregada de desespero mudo.Comecei a ler e ele voltou os olhos em minha direção. Secos demais para formar lágrima ou sorriso.Ouviu. Viu. Imaginou a trajetória do homem mais mais solitário do mundo que, segundo Murakami, encontra-se no oposto lado de um abismo intransponível. De uma enormidade inigualável e enlouquecedora.Percebeu que, naquele momento, não era era o homem mais solitário do mundo.Eu estava ali a seu lado, mas em alguns minutos, o abismo me engoliria e faria com que eu me encontrasse no lado oposto. Onde o nada me aguardaria sorrindo num canto escuro.Voltou seus olhos para o céu.Aquela nuvem pequena parecia uma folha.Uma folha fina soprada por um vento que nunca veremos.

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