segunda-feira, 7 de novembro de 2011




- alô?
- oi. ta podendo falar?
- ei. to sim. como você tá?
- tô legal. não é nada demais. só precisava te ouvir um pouco.
- o que fez de bom hoje?
- o de sempre. trabalhei muito, estudei, li. e você?
- o mesmo. exceto pelo estudar.
- você sabe que não liguei para falar do trabalho, não sabe?
- sei sim.
- mas ao mesmo tempo fica aquela vontade de não falar nada. aquela vontade de só te sentir por perto. saber que estamos juntos de alguma forma, mesmo que apenas através do telefone.
- olha...
- não se preocupa. eu não vou mais tentar te ter. me contentei com o fato de apenas ter te conhecido.
- isso já te faz feliz?
- não. você sabe que não.
- então porque diz se contentar com apenas isso?
- hoje ouvi no rádio uma música muito bonita. eu não me importei com o que dizia a letra, porque sabia que ela havia sido escrita para alguem que estava sendo amado. li um poema sobre o início do amor, e não me importei de não ter sido eu quem o escreveu, porque sabia que havia alma em cada uma daquelas letras. vi um casal sorrindo no banco de trás de um taxi ao vir trabalhar. também não me importei que não fôssemos nós a sorrir ali. tivemos algumas horas de felicidade honesta e plena. isso vou carregar pra sempre, e me lembrar de cada instante toda vez que me sentir sozinho.
- você vai me fazer chorar.
- quero aproveitar também para de certa forma, me despedir.
- porque?
- vou me obrigar a ser forte e não mais te procurar. cada sorriso seu me alimenta, me dá um fôlego novo para seguir em frente, e preciso deixar morrer a parte de mim que me deixei entregar. do contrário, nunca vou conseguir me abrir de novo para ninguém.
- ...
- não vou sumir. estarei sempre aqui para você. vou apenas deixar de dizer que te quero. talvez assim eu um dia realmente deixe de te querer.
- ...
- vou desligar. é tarde e precisamos trabalhar cedo amanhã.
- tá bom. boa noite.
- boa noite. beijo.
- ei...
- sim?
- posso te pedir uma coisa?
- pode sim.
- me liga amanhã de novo?
- ...

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