quarta-feira, 30 de novembro de 2011



esse é o começo de tudo.
e o fim de um começo.
bem assim. bastante controverso e chocante.
foi assim, excessivamente indiferente que decidi seguir em frente e bater a porta da casa dela.
abriu a porta olhando, querendo perguntar - o que foi?
não perguntou. parou e olhou no olho.
falei eu vim.
ela sabia. tava ali vendo.
encostou na porta e cruzou os braços finos e brancos.
calada.
calada, mas ainda assim me perguntando e daí? não devia ter vindo. não tenho nada para você.
as vezes tem, pensei. mas só pensei, pois não perguntou de verdade.
talvez tivesse se perguntado se ficaria ali parado ou me aproximaria para beijar.
mas não beijaria. iria parar bem perto do rosto, sentindo o creme, perfume, sabonete, halito, cabelos, pulso.
tudo misturado de encontro a mim.
quis contar.
mas e se me enxotasse como se faz com um menino chato?
pensei não sou menino.
as vezes chato.
mas só quando quero.
falei também não. fiquei ali sismando sozinho e só pra mim.
cego de tanto não saber.
esfregando as mãos de nervoso.
olhando pra elas uma vez. olhando pra ela na outra.
vi um meio sorriso na cara.
de mim ou para mim?
- vim te ver.
- só isso?
- é.
- o que tem aí na mão?
- nossa aliança.
- quero não.
- mas eu comprei.
- gastou o salário todo?
- gastei.
- olha pra mim.
- ...
- devolve.
tenha dó, quis falar.
mas engoli. fechei a mão e escondi a aliança.
mentira que gastei o salário todo. andei pensando.
mentira pra fazer ela chorar pensando com dó de mim.
mentira.
ela não vai chorar.

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