uma de suas mãos percorriam de leve a cintura.
a outra, ia e vinha pela linha da coluna. emaranhando os cabelos.
transferindo pensamentos.
de olhos fechados, girando devagar, percebiam os móveis no cômodo.
mesa baixa, sofá.
janela.
luzes berrando.
pensou em como podia ser possível um segundo conter tantas lembranças.
ou mesmo gravar tantas memórias.
como uma nota tocada pode conter dor. paz. fúria. paixão.
vivam em segundos. e, cada um deles, carregado de lembranças, memórias, acordes.
as luzes berravam.
foram até a porta.
ébrios do vinho. do escuro. do toque.
de mãos dadas, em silêncio desceram os degraus e iluminaram seus olhos com o mundo veloz que, guiado pela noite, chamava.
seguiram até uma esquina movimentada.
ela sorriu.
vestida como se fosse dormir, fez uma reverência.
ali, entre o mundo, a noite, as luzes que berram, os acordes em fúria e as almas ébrias, dançaram.
se olharam pela milésima terceira vez.
sorriram.
ele sorriu.
então suas mãos voltaram a lhe transferir pensamentos.
Um comentário:
Asas fortes...talentosas...voe alto...muito alto....Pat
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