Se ajoelhou entre as folhas que, ainda mortas, estalavam sob o peso de sua dor.
Se houvesse espaço na imensidão a sua volta, tentaria correr. Mas estava cercado por lembranças que lamentavam medonhas, como presenças que, sem rumo, procuravam ficar perto de um corpo a pulsar.
Do céu vingador não veio anjo nem chuva.
Só um cinza esmagador que se movia, dando passagem ao vento frio de dedos estranhos e impiedosos a vasculhar.
Remexer a dor lasciva que berrava surda por dentro. Gritava tanto que o peito se rasgava num choro sem som.
Um gemido e memórias fugiam dali a caminho do cinza céu.
Não havia espaço.
Ficava tudo ali, amargando os olhos negros sem fim. Sem espaço.
Não havia ponto de fuga.
Tentou dizer pra si que o sono leva o rasgar da dor. Tentou com força, a ponto de arder o sangue nas veias.
Doeu muito fundo pensar em não mais sofrer por amor.
Chorou devagar, como quem espera que o corpo seque e consiga descansar nos braços da piedade.
Deitou.
Mas não havia espaço.
"Malvadeza
Judiar assim
Tenha dó do meu coração
Que desatinou, roeu, que deu pena
Amargou essa solidão
Desabou a chorar por ti, o Serena
Pronto pro teu perdão."
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