segunda-feira, 2 de julho de 2012
Gota a gota, a chuva formava uma harmonia inconstante, trespassada pelos pneus dos carros que cortavam a rua escura.
Sentada em silêncio ela esperava. Juntando em pedaços o tempo que passava.
Amarrando o enredo de um caos particular, onde dançava de braços abertos.
Olhando para o céu que girava mil estrelas sem fim.
Que fazia sorrir por estar tão perto de fugir aos olhos, esperando e desejando o toque.
O impacto incontrolado de um perfume desconhecido, carregado de fragrâncias que a fariam divagar em segundos toda liberdade que os sonhos permitiam.
Voaria.
E do alto veria seus olhos a espera de um ponto de fuga.
Um instável movimento do mundo que faria toda órbita na qual navegava mudar de direção.
Voaria em círculos.
Gritando para que as ondas se acalmassem. Que o tremor passasse e sua presença fosse o bastante para acalmar o peito em pedaços.
Pedaços que se desfizeram em gotas ao vê-lo chegar.
Escorreram por seu corpo ao encontro da chuva e preencheram tudo ao redor, como se fosse a própria noite feita de seus mais desesperados desejos.
Ele sorriu com os olhos.
Vinha devagar, como se devorasse com a alma cada parte daquele momento.
Crescia. Trazendo consigo tudo que seria capaz para fazê-la desprender-se desse mundo e fazer com que seus corpos fossem apenas um.
Não havia vazio para onde escapar do momento.
Tudo ao redor era noite.
Negra entre milhões de estrelas.
Palpável.
Visceral.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
"Vinha devagar, como se devorasse com a alma cada parte daquele momento."
Postar um comentário