O impacto aconteceu enquanto ele ainda dormia.
Nao havia acreditado em mais uma notícia sobre o fim de tudo, no entanto sentiu a garganta se apertar e correu para a rua e entre tantas pessoas para assistir no céu um misto de luz, sombra e cinzas que se espalhavam ao leste.
Os ventos iam e vinham entre rajadas violentas que arrancavam fiações dos postes, alimentando a escuridão em que todos se encontravam, e seguiam iluminados pelos clarões no céu, lanternas e faróis de alguns automóveis.
Olhou para seu aparelho celular. Não havia sinal.
Correu para o carro e deu a partida no motor, seguindo em direção a casa onde ela morava. Pessoas fugiam, rezavam, arrombavam lojas e casas pelo caminho. Alguns tentavam roubar seu carro para fugir. Mas fugir para onde? A órbita da lua havia mudado. Seus fragmentos atingiriam a terra em poucas horas e era questão de tempo até que o vazio e o silêncio se instalassem.
Precisou deixar o carro a alguns quilômetros de distancia e prosseguiu correndo.
Reconheceu sua silhueta entre as outras pessoas na rua e caminhou para perto.
Ela estava com os cabelos soltos e os pés descalços.
Sorriu quando o viu chegando.
'não tinha sinal para te ligar', disse entre o abraço, bem baixo, bem perto do ouvido, bem a beira do fim de tudo.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
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Um comentário:
Adoro cada conto imaginado, sonhado ou as vezes, quem sabe, vivenciado...
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