quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Comprou quatro latas de cerveja, algum meio quilo de alcatra, cebolas e um pedaço de queijo.
Sorriu para a moça do caixa e disse que era dia de comemorar.
Meu time joga hoje, falou.
Ela sorriu de volta e disse um boa sorte agradável de se ouvir para quem carregava quatro latas de cerveja. E disse que o time seria campeão.
Devia ter convidado essa moça para ver o jogo comigo, pensou.
Ela não iria. Eu acho.
Nunca me viu. Tenho cara de bom moço, no entanto. Mas ela não iria.
Da próxima vez pergunto se ela gosta de cinema.
Uma comédia, talvez. Não sei para qual time ela torce. Maioria das moças gosta de comédias.
Acho que ela iria.
Continuava a caminho de casa, cumprimentando as pessoas pelo caminho.
Vestia a camisa de seu time. Orgulhoso. Esperançoso.
Disfarçava bem o coração louco que tamborilava no peito, querendo pular e gritar um grito preso de paixão.
O cachorro latiu feliz da vida ao ouvir o portão sendo aberto, e correu para a porta esperando.
Cheirou o pacote com a carne e torceu para que fosse um presente que chegava.
Se era, estava demorando a ser entregue.
Sentou-se.
Deitou-se.
Olhava pelo canto do olho o dono que andava, cortava, chorava cebolônicamente e bebericava cerveja.
Na tevê um restinho de programação antecipava o jogo.
O rádio ligado antecipava a partida contando histórias passadas e falando de esperanças futuras.
Na cabeça do dono, a moça do caixa.
E uma forma de, no escuro do cinema, tentar roubar um beijo.
Deixaria para o final? Talvez no momento de se despedir.
Ela estava meio despenteada. Era quase final de expediente, então pode ser que estivesse cansada.
Nem era bonita.
Mas tinha um sorriso honesto.
E disse que seu time seria campeão.
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Um comentário:
Bacana!
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