Era uma música daquelas que faziam sorrir. Com a cabeça encostada na janela do ônibus.
Vendo as luzes fugindo velozes e saturadas de vozes que falavam tanto sem dizer qualquer coisa.
Era uma música dedicada a uma moça que partiu a tanto tempo que os tempos mudaram.
Uma moça que sonhava com uma casa de madeira e sons.
A um rapaz que caminhava pelo pátio da escola.
Caminhava pelos corredores de uma empresa com o sonhos aos pedaços. Separados. Dedicados a alcançar qualquer lugar que os fizesse se sentir novamente juntos.
Era uma música que escapou pelos falantes da loja. Acertou uma dezena almas. Causou mil mistos de medo e prazer sem dizer mais do que deveria.
Todos diziam ser sua a canção, para usar como quisessem, para dançar de olhos fechados, para voltar um sem número de vezes até que a fita se embolasse e o momento fosse absorvido pelo desespero de ouvir novamente.
Era uma canção daquelas que faziam sorrir.
E, sorrindo, fazia o tempo parar.
Era uma canção sobre o impossível do que não pudemos viver.
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