segunda-feira, 21 de novembro de 2011
— O Amado Ribeiro está lá embaixo!
— Lá embaixo?
— C o m o c o m i s s á r i o .
— Arubinha, olha. Você vai dizer a esse moleque...
— Está com fotógrafo e tudo!
— Diz a ele, ouviu? Que se ele... Porque ele não me conhece, esse cachorro!
— O famoso Cunha!
— Você?
— Eu.
De repente a luz se apagou.
Ela sentiu um calor se aproximar de seu rosto, se afastou assustada, mas a aproximação era carinhosa, intensa, perfumada.
Uma boca se agarrou a sua boca. Antes que pudesse se afastar mais, sentiu uma mão segurar seus cabelos pela nuca. Foi beijada. Beijou. Só pensava na confusão de sentimentos e sensações que aqueles instantes de segundos traziam.
Sentiu seu queixo ser tocado antes do beijo acabar, tão rápido como começou. Então a pessoa se afastou, como se nunca tivesse existido.
Afundou na poltrona e sentiu o coração bater descompassado e retumbante.
A luz voltou poucos minutos depois.
No palco, os atores sorriam, olhando na direção do balcão da técnica.
Olhou a seu redor.
Do lado direito, uma moça que comentava com o amigo-namorado-marido sobre a cara das pessoas no retornar das luzes.
Do lado esquerdo, um senhor tirava do bolso o telefone celular.
Na poltrona da frente, um rapaz com cabelos cacheados que não mostravam se sorria.
Repassou em sua cabeça o momento.
Não houveram palavras.
Um roubo silencioso, que fazia sua mente vaguear entre a libido e a revolta.
Quis se levantar e fugir.
Quis ser roubada mais uma vez.
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2 comentários:
Amei! Perfeito!
Vc pediu um título e não que eu te contasse todo ocorrido...rsrs
Parabéns Rick...tem a manha!
Amei! Perfeito!
Vc pediu um título e não que eu te contasse todo ocorrido...rsrs
Parabéns Rick...tem a manha!
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