terça-feira, 22 de abril de 2014

Quando fechou os olhos com um sorriso pequeno brotando em sua boca, o fez em meio a uma multidão de perfumes que escapavam de seus cabelos, envolvendo os dois corpos quentes, provocando arrepios pela pele que percebia entre os ombros nus um roçar suave da barba por fazer, da boca quente que se abria e mordia de leve os caminhos para seus sonhos.
Sentiu uma mão forte subir por suas costas, seu pescoço, sua nuca.
Suas pernas tremiam e o coração parecia querer crescer tanto, os envolver, ser um manto rubro de proteção de onde nunca mais sairiam.
Se deixou beijar.
Perdeu-se no caminho de volta a realidade, abraçada a um perfume que lhe tirava do chão, contando histórias incontadas, segredos imutáveis, lembranças ternas.
Fora de si a noite começava a tomar o mundo entre as mãos, fazendo dormir as árvores e animais incansáveis. Calando as crianças e os carros velozes. Acalmando os homens e acariciando a paixão das mulheres.
Levantou-se num átimo e abotoou sua roupa.

Refez o penteado e respirou fundo antes de sair pela porta carregada pelos passos mais pesados que uma mulher já deu em toda a história impossível de duas almas, deixando para trás um coração em silencio.

Um comentário:

Anônimo disse...

Seus contos me matam aos poucos.
Absurdamente lindos.

Iara Goulart