Quando fechou os olhos com um sorriso pequeno brotando em
sua boca, o fez em meio a uma multidão de perfumes que escapavam de seus
cabelos, envolvendo os dois corpos quentes, provocando arrepios pela pele que percebia
entre os ombros nus um roçar suave da barba por fazer, da boca quente que se
abria e mordia de leve os caminhos para seus sonhos.
Sentiu uma mão forte subir por suas costas, seu pescoço, sua
nuca.
Suas pernas tremiam e o coração parecia querer crescer
tanto, os envolver, ser um manto rubro de proteção de onde nunca mais sairiam.
Se deixou beijar.
Perdeu-se no caminho de volta a realidade, abraçada a um
perfume que lhe tirava do chão, contando histórias incontadas, segredos
imutáveis, lembranças ternas.
Fora de si a noite começava a tomar o mundo entre as mãos,
fazendo dormir as árvores e animais incansáveis. Calando as crianças e os
carros velozes. Acalmando os homens e acariciando a paixão das mulheres.
Levantou-se num átimo e abotoou sua roupa.
Refez o penteado e respirou fundo antes de sair pela porta
carregada pelos passos mais pesados que uma mulher já deu em toda a história impossível
de duas almas, deixando para trás um coração em silencio.
Um comentário:
Seus contos me matam aos poucos.
Absurdamente lindos.
Iara Goulart
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