Ela despertou com as mãos trêmulas, sentindo o coração bater tão forte que latejava a cabeça. Ficou ali um tempo deitada entre seus três travasseiros preferidos, com os quais se cercava todas as noites.
Sorriu olhando para o nada.
Ela estava novamente sentada no banco enquanto aguardava sua senha ser chamada para atendimento.
O número 74 surgiu no letreiro digital e ela se encaminhou para o guichê 12. O atendente pegou sua senha e sem delongas prosseguiu com todo o procedimento.
Por um tempo inacreditável o toque dos dedos no momento da entrega da senha permanecia em suas mãos, subindo por seus braços e ombro. A cada piscar de olhos invadia mais e mais cada centímetro de pele. Arrepiando o corpo, pressionando suas costelas, como uma presença invisível controlada por sua vontade. Doeram-lhe os seios e a nuca, enquanto a sensação continuava a dominar seu corpo.
Ouviu seu nome ser chamado.
Repetido.
Era o atendente perguntando sobre um endereço para entrega.
O odiou por um segundo.
Amou desesperadamente cada uma das palavras que informavam algo que nem mesmo importava mais.
Quis toca-lo novamente, mas ouviu um agradecimento de despedida que não deixava margem para qualquer tentativa.
'Não'.
Levantou-se e caminhou com dificuldade até a porta.
Não conseguiu atravessar a rua. Parou ali bem na entrada, atrapalhando o tráfego daqueles que iam e vinham. Um segurança se aproximou. Uma moça perguntou se estava tudo bem.
Ela apenas olhava para dentro. No guichê 12 trabalhavam alheias a seu ardor as mãos que lhe fizeram voar.
O atendente percebeu a movimentação e se levantou para olhar.
Era a moça que havia atendido.
Ela o viu se aproximar vestido de preto e azul. Carregando suas mãos em sua direção. Levando para perto aqueles olhos que da indiferença anterior mostravam agora outra faceta de uma alma.
'O que houve'? Ele perguntou.
Ela não sabia se poderia responder. Sua boca estava seca e tremia. Suas pernas sustentavam pequenos espasmos que subiam cada vez mais fortes intercalados por uma respiração profunda. Deu um passo a frente e deixou sua bolsa no chão.
Tocou o braço do atendente e fechou os olhos.
Naquele momento o mundo era um sol com mil fagulhas. Ofuscante. Ensurdecedor. Inacreditável.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
absurda sua capacidade de entrar na alma da mulher e extrair as sensações mais verdadeiras com uma intensidade animal.
fico imaginando o quanto podem ser interessantes os dias ao seu lado.
Que bela bosta hein
iiiiii, amigo!
parece que a namorada de alguém é sua fã!!! hahahah
bjs nanda
Postar um comentário